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quarta-feira, 24 de março de 2010

Empresas correm para criar aplicativos para o iPad

Brad Stone e Jenna Wortham
Pode ser difícil criar um programa para um aparelho sem ser capaz de tocá-lo. Mas isso não impediu desenvolvedores de se apressar para criar aplicativos para o iPad da Apple. Para pequenas startups e grandes companhias de mídia e internet, o iPad, e os computadores tablet de forma geral, representa a nova fronteira tecnológica.




Para muitas delas, desenvolver aplicativos para o iPad será um desafio, pelo menos a princípio. A Apple forneceu a apenas poucas companhias iPads para projetar e testar seus softwares antes do lançamento do produto em 3 de abril.



O restante teve que usar programas que mimetizam o iPad em computadores Mac, uma desvantagem quando se trata de um aparelho que a Apple está lançando como uma nova maneira de interagir com mídias.



As poucas empresas que receberam o aparelho - que incluem a Grande Liga de Beisebol, o Wall Street Journal e o New York Times - foram submetidas a uma longa lista de regras da Apple. As companhias tiveram de concordar em manter o iPad escondido do público, acorrentado a mesas em recintos sem janelas. Isso apesar da aparência básica do iPad ter deixado de ser um segredo em janeiro.



E a Apple disse a todos os seus outros desenvolvedores que baixaram as ferramentas de programação do iPad que mantivessem silêncio sobre seus aplicativos até o final deste mês.



O apego ao sigilo da Apple não parece ter diminuído o entusiasmo dos desenvolvedores.



"Existe algo novo no iPad que está criando um nível de animação ainda maior do que o existente no ano passado com o iPhone", disse Raven Zachary, presidente da Small Society, uma companhia de softwares para iPhone de Portland, Oregon.



Zachary organizou oficinas de trabalho para desenvolvedores de iPhone e planeja fazer o mesmo para o iPad. "As pessoas enxergam isso como uma oportunidade para fazer coisas que ainda não foram feitas e aproveitar a vantagem do pioneirismo", disse ele.



Algumas empresas chegam a falar abertamente sobre seus planos para o iPad, sob risco de represálias da Apple. É claro, elas estão ansiosas pela tela de 9,7 polegadas do iPad e seu veloz processador - além da disposição demonstrada pelos consumidores Apple a pagar alguns dólares para ter aplicativos em seus aparelhos.



A Amazon.com e a Barnes & Noble estão trabalhando em aplicativos para a compra e leitura de livros eletrônicos, apesar das duas empresas venderem seus próprios aparelhos de leitura eletrônica, e da Apple oferecer seu próprio aplicativo iBooks. A expectativa é que o iPad crie uma grande alta no mercado de e-books, beneficiando todo o setor. Nenhuma das companhias recebeu um iPad para testes.



"Na verdade, desenvolvemos uma interface baseada no tablet que redefine a tela principal e a experiência de leitura", disse Ian Freed, vice-presidente para Kindle da Amazon. "Nossa equipe se divertiu com ela."



O aplicativo Kindle para o iPad, que a Amazon apresentou para a reportagem na semana passada, permite que os leitores virem a página lentamente com seus dedos. Ele também possui duas novas formas para as pessoas visualizarem toda a sua coleção de e-books, inclusive uma visualização em que grandes imagens de capas de livro ficam sobre um pano de fundo com a silhueta de uma pessoa lendo sentada sob uma árvore. A posição do sol na imagem varia de acordo com a hora do dia.



Nos escritórios da unidade digital da Barnes & Noble, em Nova York, 14 desenvolvedores ocupam um recinto sem janelas desde janeiro, reprojetando completamente o aplicativo de iPhone da companhia para o iPad, de acordo com Douglas Gottlieb, vice-presidente de produtos digitais. Os desenvolvedores se acotovelam em Macs ao redor de uma grande mesa, e impressões e notas estão colados na parede.



O novo aplicativo vai permitir que usuários folheiem rapidamente os livros com os dedos e personalizem fontes com múltiplas cores e tamanhos. Gottlieb disse que a companhia estava conversando com editoras sobre acrescentar multimídia em livros digitais.



A Apple disse na semana passada que passou a aceitar ofertas de desenvolvedores de iPad que querem a chance de ter seus aplicativos na App Store antes do lançamento do iPad. Mas tanto Amazon quanto Barnes & Noble afirmam que seus planos são de esperar e testar seu software em um iPad de verdade antes de enviá-lo para a avaliação da Apple.



Os desenvolvedores sabem por experiência a importância do momento certo. Alguns dos primeiros desenvolvedores a lançar programas para o iPhone foram também os mais bem-sucedidos, já que posteriormente o número de aplicativos na App Store - atualmente em 150 mil - se tornou esmagador. Um desenvolvedor que sair na frente com um aplicativo projetado para o iPad tem chances maiores de ser notado.



Mas existe a chance do aplicativo funcionar bem no simulador e apresentar problemas ou não parecer adequado em um iPad real. Muitos desenvolvedores afirmam não querer assumir esse risco.



"Adoraríamos estar lá no primeiro dia, mas um erro pode matar o trem antes de ele chegar à estação", disse Wade Slitkin, chefe-executivo da Panelfly, que produz um leitor digital de histórias em quadrinhos para aparelhos como o iPhone e possui acordos com editoras como Marvel Comics e Sterling.



Existem fatores práticos que podem passar despercebidos em um simulador, como o peso do aparelho e a maneira que as pessoas o seguram. Para compensar, os engenheiros imprimem páginas de amostras e as colam sobre revistas "para ter a sensação de segurá-lo nas mãos", disse Stephen Lynch, chefe de tecnologia da empresa.



Shervin Pishevar, fundador da SGN, empresa de jogos portáteis, tentou sair na frente da concorrência comparecendo à apresentação do iPad em São Francisco em janeiro, e depois passando o máximo de tempo possível usando o aparelho na área de demonstrações. Pishevar acredita que a tela maior do iPad vai permitir que famílias se sentem ao redor do aparelho para jogar jogos de grupo, como Monopólio.



A empresa dele também está desenvolvendo jogos que jogadores poderão operar conectando um iPhone ou um iPod Touch ao iPad por uma rede sem fio e usando o aparelho menor como um controlador de jogo - algo semelhante ao controle remoto sensível a movimento do Nintendo Wii.



"Vamos ser capazes de desenvolver aplicativos de jogos e entretenimento tão bons quanto os feitos para consoles", disse Pishevar. Entre as grandes companhias de mídia, o Journal, o Times, a revista Time e a NPR disponibilizarão aplicativos para iPad quando ele estiver à venda, de acordo com pessoas envolvidas nos planos das companhias. Natalie Keris, porta-voz da Apple, se negou a fazer comentários.



Boa parte dos atuais aplicativos para iPhone funcionarão no iPad, com a tela esticada ou em uma janela menor. Mas muitos desenvolvedores estão focando na renovação de seus títulos mais populares no iPhone para uso no iPad.



Neil Young, cofundador e chefe do estúdio de jogos para iPhone Ngmoco, disse que sua empresa estava atualizando diversos jogos, inclusive o jogo multiplayer Charadium, em que jogadores desenham itens e se alternam para tentar adivinhar o que é a imagem. Ele vai ganhar novos controles e um bloco de notas em branco mais espaçoso para desenhar. "Existem muito mais lugares para tocar a tela", disse ele. "Dá para se divertir muito com ele."



The New York Times

1 comentários:

Melancia Quente disse...

First :P

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